Apesar de ser o tipo de câncer mais comum em crianças, a leucemia é muito menos frequente do que as infecções, alergias e anemias comuns na infância. Pode atingir crianças de todas as idades, porém sua ocorrência é mais comum entre os 2 e 5 anos e costuma aparecer rapidamente, em poucas semanas. Nos adultos, ela ocorre de forma crônica e mais arrastada. A leucemia afeta a produção dos glóbulos brancos, células do sangue produzidas pela medula óssea e que nos protegem de infecções. Como existe mais de um tipo de glóbulo branco, as leucemias são classificadas de acordo com a célula afetada. Nas crianças, o tipo mais comum é a leucemia linfocítica aguda.
Pouco se sabe sobre as causas que contribuem para o surgimento da leucemia. Entre os fatores conhecidos estão: altas doses de irradiação (p.ex. após acidente nuclear ou radioterapia); algumas substâncias tóxicas como o benzeno e quimioterápicos; fatores genéticos que aumentam a predisposição, como a Síndrome de Down. Entretanto, na grande maioria dos casos, não se conhece nem se identifica uma causa para o surgimento da doença. Nas crianças, as manifestações das leucemias surgem rapidamente e são relacionadas ao mau funcionamento da medula óssea e do sistema imunológico. Com frequência, a criança apresenta anemia, fraqueza, dor nos ossos e articulações, febre e sangramentos. No exame físico, o médico identifica palidez da pele e mucosas, aumento do fígado, do baço e dos gânglios linfáticos (ínguas), hematomas e pontos vermelhos pelo corpo. É importante ressaltar que estes sintomas e sinais são comuns também em outras doenças; no entanto, nos casos de leucemias, eles persistem e se intensificam em poucas semanas, enquanto que em outras doenças inflamatórias ou infecciosas os sintomas tendem a melhorar progressivamente. Na suspeita de leucemia, o exame de sangue traz muitas informações úteis, como indicação de anemia, redução do número de plaquetas e alterações no número total e dos diferentes tipos de leucócitos (contagem diferencial).
O exame de sangue também pode mostrar a célula leucêmica, porém a confirmação do diagnóstico deve ser feita através do exame da medula óssea. Esse exame permite a identificação correta da leucemia através da análise da morfologia das células, suas características imunofenotípicas e moleculares. Todas essas informações serão muitos importantes para planejar o tratamento adequado. Atualmente, as leucemias das crianças são doenças potencialmente curáveis. Acredita-se que mais de 80% dos pacientes vão ficar curados após o tratamento baseado em quimioterapia. Os medicamentos são desenvolvidos para destruir as células doentes, e são usados em conjunto e em rodízio por aproximadamente dois anos. É muito importante que o tratamento da leucemia e o acompanhamento médico sejam feitos em centros especializados, onde se registram altas taxas de cura.