Pedir colo mete muita criança em encrenca, especialmente quando ela se recusa terminantemente a andar junto com um adulto — só quer ser carregada por ele. Esse comportamento, um tanto irritante, pode parecer preguiça ou um desafio à ordem de ir para algum lugar (ou embora), mas na verdade não é isso, pelo menos não na maioria dos casos.
Quando a criança começa a andar, o objetivo dela não é ir do ponto A ao ponto B. Ela segue um padrão de ir e vir para uma “base”, representada por um adulto. Se o “adulto-base” se move, o padrão é quebrado, e a criança pode acabar sentando no chão e chorando.
Ela pede para ser carregada porque, até os cerca de 3 anos de idade, é a única maneira de ela ficar com você. O carrinho pode parecer a resposta óbvia para o problema, mas nem sempre é a opção número um da criança.
Mesmo quando já consegue andar e acompanhar um adulto, quase toda criança pequena vai querer, em alguns momentos, ser carregada por mais tempo do que um adulto gostaria.
Andar no colo é gostoso e confortável. E as vantagens, para a criança, não se resumem a dar um tempo para os pés cansados. Quando ela é erguida, seu campo de visão se expande; ela vê o mundo como você o vê. Está acima de coisas que podem parecer perigosas, como cachorros estranhos, e consegue ver os rostos dos adultos e escutar o que vocês estão conversando.
Como você pode perceber, tem muita coisa legal para a criança quando ela está no colo. Por isso, é preciso pensar em maneiras de transformar o caminhar ou o passeio no carrinho em algo tão ou mais divertido para ela.
Andar pode ser gostoso e seguro para seu filho se você colocá-lo na sua frente e deixá-lo ajudar a empurrar o carrinho. Ou, em locais seguros, vocês podem brincar de correr um atrás do outro. Ficar no carrinho pode ser prazeroso se ele for do tipo em que a criança pode olhar para você, e você pode cantar, contar histórias ou fazer caretas.
Se nada disso der certo, e seu filho quiser que você o carregue de qualquer jeito, tente fazer um rodízio: “Eu te levo até aquela árvore, depois você anda (ou vai no carrinho) até aquela esquina…”. Não tem árvore ou esquina? Experimente contar, então; ele pode até se distrair antes de você chegar ao número cem.