Perguntas e respostas sobre a vacina do HPV

– Quan­tas va­ci­nas con­tra HPV exis­tem?

Res­pos­ta: Vá­rios são os gru­pos pes­qui­san­do va­ci­na con­tra HPV. Porém, os es­tu­dos mais adian­ta­dos são: va­ci­na qua­dri­va­len­te (HPV 6, 11, 16, 18) da Merck Sharp & Dohme (MSD); va­ci­nas bi­va­len­tes (HPV 16, 18) da Glaxo Smith Kline (GSK), Ins­ti­tu­to Na­cio­nal do Cân­cer (Es­ta­dos Uni­dos) e Ins­ti­tu­to Bu­tan­tan (Bra­sil).

– De que é feita a va­ci­na? É vírus morto? É vírus ate­nua­do?

Res­pos­ta: A ciên­cia mé­di­ca nos úl­ti­mos anos avan­çou muito nas ques­tões en­vol­ven­do a bio­lo­gia molecular. O que há trin­ta anos pa­re­cia im­pos­sí­vel, hoje é coisa cor­ri­quei­ra nos gran­des cen­tros de pes­qui­sas sobre genética.

Conseguiu-se iden­ti­fi­car a parte prin­ci­pal do DNA do HPV (gene) que co­di­fi­ca para a fa­bri­ca­ção do cap­sí­deo viral (parte que en­vol­ve o ge­no­ma do vírus). De­pois, usando-se um fungo (Sa­ca­ro­mi­ces ce­re­vi­siae), entre outros sistemas, como células de inseto, se ob­te­ve ape­nas a “capa” do vírus que em tes­tes pre­li­mi­na­res mos­trou in­du­zir for­te­men­te a pro­du­ção de an­ti­cor­pos quan­do ad­mi­nis­tra­da em humanos. Essa “capa” viral, sem qual­quer ge­no­ma em seu in­te­rior, é cha­ma­da de par­tí­cu­la se­me­lhan­te a vírus (em in­glês, virus like par­ti­cle – VLP). Na verdade, é um pseudo-vírus. O passo se­guin­te foi es­ta­be­le­cer a me­lhor quan­ti­da­de de VLP e tes­tar em hu­ma­nos na pre­ven­ção de le­sões in­du­zi­das por HPV. Cabe dizer que cada tipo viral tem a cor­res­pon­den­te VLP para uso como vacina. Assim, uma va­ci­na bi­va­len­te tem duas VLP (16, 18). Já uma va­ci­na qua­dri­va­len­te tem qua­tro VLP (6, 11, 16, 18).

Para que não paire dú­vi­das sobre o cons­ti­tuin­te e poder não in­fec­cio­so das VLP ima­gi­ne um mamão inteiro. Den­tro ha­ve­rá um monte de se­men­tes (ma­te­rial ge­né­ti­co) que cain­do em um ter­re­no fér­til po­de­rá ori­gi­nar um (ou mais) mamoeiro. Mas, se todas as se­men­tes forem re­ti­ra­das do in­te­rior do mamão, fi­can­do tudo oco, mesmo que esse mamão seja acon­di­cio­na­do em um bom ter­re­no ja­mais dali nas­ce­rá um pé de mamão.

No caso das VLP elas imi­tam o HPV fa­zen­do com que o or­ga­nis­mo iden­ti­fi­que tal es­tru­tu­ra como um in­va­sor e pro­du­za con­tra ele um me­ca­nis­mo de de­fe­sa, de proteção.

Esse sis­te­ma é bem co­nhe­ci­do, se­gu­ro e usado há muito tempo com a va­ci­na con­tra a he­pa­ti­te B.

Na sua fa­bri­ca­ção não en­vol­ve de­ri­va­dos de cé­lu­las hu­ma­nas e não pos­sui risco de cau­sar qual­quer doen­ça infecciosa.

– Como se dá a pro­te­ção pela va­ci­na?

Res­pos­ta: Ainda es­ta­mos apren­den­do muito com a va­ci­na con­tra HPV. Tem sido ob­ser­va­do que após a ad­mi­nis­tra­ção, por via in­tra­mus­cu­lar, de dose de va­ci­na con­tra HPV acon­te­ce uma enor­me pro­du­ção de an­ti­cor­pos cir­cu­lan­tes (no san­gue pe­ri­fé­ri­co) e que se man­tém, em ní­veis ele­va­dos, du­ran­te anos.

Na ins­ta­la­ção da in­fec­ção pelo HPV de forma na­tu­ral tam­bém exis­te o apa­re­ci­men­to des­ses mes­mos anticorpos. Porém, os ní­veis são geo­me­tri­ca­men­te bem in­fe­rio­res quan­do com­pa­ra­dos com os ní­veis pós-vacinal. Mui­tos pes­qui­sa­do­res têm atri­buí­do a esse fator (al­tís­si­mos ní­veis de an­ti­cor­pos) a pro­te­ção con­tra as le­sões in­du­zi­das pelo HPV. Tem se fa­la­do que com essa ex­plo­são de an­ti­cor­pos é fácil para eles che­ga­rem nos lo­cais onde, pos­te­rior­men­te, ocor­ra, de forma na­tu­ral, a in­tro­du­ção do HPV e então de­be­lar os vírus no mo­men­to ini­cial da infecção. Assim, não ha­ve­ria a pro­li­fe­ra­ção do HPV nos te­ci­dos e con­se­qüen­te­men­te não ocor­re­ria doen­ça (sin­to­mas).

Para o vírus da he­pa­ti­te B isso é o que acontece. To­da­via, em ou­tras doen­ças, como HIV/Aids, em­bo­ra tam­bém ocor­ra uma ex­plo­são de an­ti­cor­pos cir­cu­lan­tes, esses an­ti­cor­pos não são su­fi­cien­tes para evi­tar que a in­fec­ção pro­gri­da e se torne uma grave doença.

É pos­sí­vel que os altos e man­ti­dos ní­veis de an­ti­cor­pos seja o prin­ci­pal fator de proteção. Mas, não fi­ca­re­mos sur­pre­sos se exis­ti­rem ou­tros me­ca­nis­mos que, ainda, não foram desvendados. 

O fato prin­ci­pal é que após es­que­ma va­ci­nal com­ple­to con­tra HPV as pes­soas têm apre­sen­ta­do pro­te­ção con­tra os tipos de vírus usa­dos em cada preparação.

Cabe, ainda, dizer que até hoje, e já se pas­sa­ram mui­tos anos e com o uso em mi­lhões de pes­soas, não se co­nhe­ce o ver­da­dei­ro me­ca­nis­mo de pro­te­ção con­fe­ri­do pela va­ci­na para Bor­de­tel­la per­tus­sis, leia-se coqueluche. 

– É por via oral ou é in­je­ção?

Res­pos­ta: É por via in­tra­mus­cu­lar — in­je­ção de ape­nas 0,5 mL cada dose.

– Quan­tas doses são?

Res­pos­ta: A va­ci­na qua­dri­va­len­te con­tra HPV (MSD) está sendo pro­pos­ta em três doses, a saber, 0 dia, 60 dias e 180 dias. Já a va­ci­na bi­va­len­te (GSK), tam­bém em três doses, mas sendo, 0 dia, 30 dias e 180 dias.

– Quan­to tempo dura o efei­to da va­ci­na?

Res­pos­ta: Os es­tu­dos clí­ni­cos estão mos­tran­do que cinco anos após a ad­mi­nis­tra­ção da va­ci­na qua­dri­va­len­te con­tra HPV ainda per­sis­te a pro­te­ção con­tra ver­ru­gas ge­ni­tais e neo­pla­sias intra-epiteliais do colo uterino.

– Vai ter ne­ces­si­da­de de re­for­ço ou dose su­ple­men­tar? Se SIM, quan­to tempo de­pois?

Res­pos­ta: Até o mo­men­to sabe-se que a pro­te­ção, após es­que­ma va­ci­nal com­ple­to (três doses) tem du­ra­do mais de cinco anos. Exis­te es­tu­do sendo con­du­zi­do no sen­ti­do de se fazer uma quar­ta dose de reforço. En­tre­tan­to, será ne­ces­sá­rio es­pe­rar mais tempo para uma res­pos­ta definitiva. 

– Tem gra­ves efei­tos co­la­te­rais?

Res­pos­ta: Os re­sul­ta­dos dos en­saios clí­ni­cos (de todas as va­ci­nas con­tra HPV) pu­bli­ca­dos em re­vis­tas in­ter­na­cio­nais de corpo edi­to­rial rí­gi­do não apon­tam para esses problemas. Os efei­tos ad­ver­sos mais des­ta­ca­dos são mal estar tipo gripe e dor no local da injeção. Porém, fre­qüen­te­men­te, de leve intensidade.

– A va­ci­na con­tra HPV tem efei­to te­ra­to­gê­ni­co?

Res­pos­ta: Até a pre­sen­te data não exis­te qual­quer re­la­to sobre dano para o feto caso a mu­lher en­gra­vi­de no curso de es­que­ma va­ci­nal con­tra HPV.  Ver­da­dei­ra­men­te, a ex­pe­riên­cia é muito pe­que­na para uma con­clu­são confiante. Somos de opi­nião que uma pes­soa que quei­ra en­gra­vi­dar em se­gui­da a ad­mi­nis­tra­ção das doses de va­ci­na con­tra HPV es­pe­re, pelo menos, um mês após a apli­ca­ção da ter­cei­ra dose. Ha­ven­do gra­vi­dez entre os in­ter­va­los das doses o mé­di­co as­sis­ten­te deve ser avisado. Ten­tan­do uma cor­re­la­ção com outra va­ci­na fa­bri­ca­da com os mes­mos prin­cí­pios (par­tí­cu­las se­me­lhan­te a vírus) e que se pos­sui uma vasta ex­pe­riên­cia, a va­ci­na con­tra he­pa­ti­te B, o es­pe­ra­do é que nada de mal ocor­ra para o bebê. Hoje temos con­fian­ça em va­ci­nar con­tra he­pa­ti­te B mu­lhe­res grávidas. To­da­via, como as in­fec­ções não são idên­ti­cas, o cor­re­to, para nós, é evi­tar va­ci­na­ção con­tra HPV em mu­lhe­res grávidas. Pelo menos até que tudo fique bem documentado. E isto pode levar anos.

– Será que to­man­do va­ci­na con­tra uns tipos pode apa­re­cer re­sis­tên­cia para ou­tros tipos de HPV como ocor­re nos casos de re­sis­tên­cia aos an­ti­bió­ti­cos?

Res­pos­ta: Não é comum que va­ci­nas se­le­cio­nem ou in­du­zam o apa­re­ci­men­to de es­pé­ci­mes re­sis­ten­tes como acon­te­ce fre­qüen­te­men­te com an­ti­bió­ti­cos e qui­mio­te­rá­pi­cos antiinfecciosos. Se o pro­du­to fosse uma droga an­ti­vi­ral isso teria chan­ce de acontecer. Como acon­te­ce no caso da te­ra­pia an­ti­re­tro­vi­ral para o HIV.

– Tem rea­ção cru­za­da (imu­no­ge­ni­ci­da­de) com ou­tros tipos de HPV? Ou seja, to­man­do va­ci­na con­tra uns tipos fica tam­bém pro­te­gi­da para ou­tros?

Res­pos­ta: Os es­tu­dos estão mos­tran­do au­men­to sig­ni­fi­ca­ti­vo nos ní­veis de an­ti­cor­pos de al­guns tipos de HPV ge­ne­ti­ca­men­te bem pró­xi­mos aos em­pre­ga­dos em cada vacina. Assim, começa-se a acre­di­tar que pode haver imu­ni­da­de cru­za­da para um ou dois tipos ape­nas de HPV. Cabe, en­tre­tan­to, dizer que esses au­men­tos nas taxas de an­ti­cor­pos valem para um ou dois tipos vi­rais de cada clas­si­fi­ca­ção: alto grau (16, 18) ou baixo grau (6, 11). Todavia, os es­tu­dos não têm de­mons­tra­do que to­man­do uma va­ci­na con­tra HPV 16, 18 (SIL/NIC) ter-se-á pro­te­ção para os HPV 6, 11 (con­di­lo­mas acu­mi­na­dos). 

– Quem deve ser va­ci­na­do?

Res­pos­ta: As pes­qui­sas clí­ni­cas en­vol­ven­do gru­pos com va­ci­na e gru­pos com pla­ce­bo pu­bli­ca­das até agora re­ve­lam re­sul­ta­dos de va­ci­na­ção em mu­lhe­res de 15 a 25 anos de idade.

Houve, por outro lado, pes­qui­sa onde o ob­je­ti­vo era saber a imu­no­ge­ni­ci­da­de (pro­du­ção de res­pos­ta imune) em me­ni­nos e me­ni­nas de 9 a 15 anos. Neste es­tu­do observou-se que os me­ni­nos apre­sen­ta­ram pico de an­ti­cor­pos maio­res que as meninas. E mais, quan­to menor a idade maior foi o nível de pro­du­ção de anticorpos.

Por tais mo­ti­vos, o pe­di­do de li­cen­ça de co­mer­cia­li­za­ção da va­ci­na foi feito para pes­soas de 9 anos de idade ou mais.

As pes­qui­sas clí­ni­cas com o ob­je­ti­vo de ava­liar pro­te­ção con­tra doen­ças (con­di­lo­ma acuminado-verruga ge­ni­tal e neo­pla­sia intra-epitelial do colo ute­ri­no) que já foram con­cluí­das e pu­bli­ca­das em re­vis­tas cien­tí­fi­cas são com pes­soas de 15 a 25 anos de idade.

Em 8 de junho de 2006 a agên­cia norte-americana FDA (Food and Drugs Ad­mi­nis­tra­tion) deu pa­re­cer fa­vo­rá­vel ao pe­di­do de li­be­ra­ção da va­ci­na qua­dri­va­len­te con­tra HPV feito pela MSD. Quer dizer: apro­va­ram a va­ci­na qua­dri­va­len­te con­tra HPV 6, 11, 16, 18 para apli­ca­ção em pes­soas do sexo fe­mi­ni­no na faixa etá­ria de 9 a 26 anos. Este pa­re­cer serve para a co­mer­cia­li­za­ção nos Es­ta­dos Unidos. O órgão bra­si­lei­ro si­mi­lar ao FDA, a AN­VI­SA (Agên­cia Na­cio­nal de Vi­gi­lân­cia Sa­ni­tá­ria) em 28/08/2006 aprovou a vacina quadrivalente da MSD para uso em meninas e mulheres com 9 a 26 anos de idade.

A va­ci­na qua­dri­va­len­te con­tra HPV já foi apro­va­da, tam­bém, no Mé­xi­co, na Aus­trá­lia e no Canadá.

– Qual é o nome da va­ci­na apro­va­da?

Res­pos­ta: O nome in­ter­na­cio­nal da va­ci­na da MSD é Gar­da­sil® (in­glês: gard de guar­dião e sil de lesão intra-epitelial es­ca­mo­sa). To­da­via, a le­gis­la­ção bra­si­lei­ra, para va­ci­nas, não per­mi­te a co­mer­cia­li­za­ção com nome de marca, mas com a fun­ção da vacina. Assim, nesse caso, no Bra­sil, o ró­tu­lo terá que cons­tar: Va­ci­na Qua­dri­va­len­te Re­com­bi­nan­te con­tra HPV 6, 11, 16, 18.

Vale, ainda, adian­tar o nome in­ter­na­cio­nal da va­ci­na bi­va­len­te con­tra HPV 16, 18 da GSK que é Cer­va­rix® e que na Eu­ro­pa a va­ci­na qua­dri­va­len­te re­com­bi­nan­te con­tra HPV 6, 11, 16, 18 da MSD tem o nome de Sil­gard®.

– Como saber se a va­ci­na pegou?

Res­pos­ta: Ainda não sa­be­mos como responder. Como não exis­tem co­mer­cial­men­te os rea­gen­tes e nem as me­to­do­lo­gias dis­po­ní­veis para uso na prá­ti­ca mé­di­ca não temos como dosar as taxas de anticorpos. Mas, po­de­mos afir­mar que em todos os es­tu­dos as pes­soas va­ci­na­das ti­ve­ram altas taxas de pro­du­ção de anticorpos.

– Uma pes­soa que já teve SIL/NIC pode tomar a va­ci­na?

Res­pos­ta: Como sa­be­mos, hoje, que lesão in­trae­pi­te­lial es­ca­mo­sa do colo ute­ri­no (SIL) ou neo­pla­sia intra-epitelial cer­vi­cal (NIC) tem a par­ti­ci­pa­ção de HPV é pos­sí­vel, ini­cial­men­te, ima­gi­nar que quem teve tal pro­ble­ma não terá be­ne­fí­cio se re­ce­ber uma va­ci­na con­tra HPV. En­tre­tan­to, sa­be­mos, tam­bém, que, mui­tas vezes, ape­nas um tipo viral está en­vol­vi­do nes­ses problemas. Assim, uma vez que as va­ci­nas em es­tu­dos pos­suem dois (GSK, INC, Bu­tan­tan) ou qua­tro (MSD) tipos de HPV uma pro­te­ção con­tra os ou­tros tipos não en­vol­vi­dos na pri­mei­ra in­fec­ção po­de­rá ser be­né­fi­ca para a pessoa. No caso es­pe­cí­fi­co da va­ci­na qua­dri­va­len­te, como as NIC/SIL pos­suem curso bem dis­tin­tos das le­sões de ver­ru­gas ge­ni­tais, tam­bém co­nhe­ci­dos de con­di­lo­ma acu­mi­na­do a pro­te­ção mais ampla é esperada.

É cor­re­to, en­tre­tan­to, que se diga que em vá­rias si­tua­ções mais de um tipo viral está en­vol­vi­do nos casos de NIC.

Re­su­min­do, de al­gu­ma forma, mesmo que menor é es­pe­ra­do que uma pes­soa com pas­sa­do de NIC/SIL tenha al­gu­ma pro­te­ção re­ce­ben­do va­ci­na con­tra HPV. Não co­nhe­ce­mos es­tu­dos en­vol­ven­do tais si­tua­ções, mas o ra­cio­cí­nio clí­ni­co e ló­gi­co in­di­ca para algum be­ne­fí­cio na va­ci­na­ção, prin­ci­pal­men­te para a va­ci­na quadrivalente. 

– Quem já teve ver­ru­gui­nha/con­di­lo­ma acu­mi­na­do no ge­ni­tal pode tomar a va­ci­na?

Res­pos­ta: Aplicam-se aqui as mes­mas ex­pli­ca­ções da res­pos­ta anterior.

– Quem teve exame po­si­ti­vo para HPV pode tomar a va­ci­na?

Res­pos­ta: No­va­men­te de­ve­mos apli­car nesta res­pos­ta o mesmo ra­cio­cí­nio das duas per­gun­tas anteriores. Ter tido um exame po­si­ti­vo para um tipo de HPV não tra­duz que a pes­soa está ou vai ter as le­sões cau­sa­das pelo HPV. Pode, o que é fre­qüen­te, ser ape­nas uma po­si­ti­vi­da­de transitória. Ou seja, a pes­soa en­trou em con­ta­to com o vírus, mas o sis­te­ma imune, so­zi­nho, con­se­guiu de­be­lar a infecção. Como as va­ci­nas pos­suem mais de um tipo viral ha­ve­rá, de ro­ti­na, o de­sen­vol­vi­men­to de pro­te­ção para os tipos de HPV não en­vol­vi­dos no exame positivo.

Porém, não podemos omitir que os estudos recentes publicados sobre vacina contra HPV (monovalente, bivalente ou quadrivalente) foram com pessoas com exames prévios negativos, tanto para DNA-HPV como para anticorpos contra HPV.

– Após ser va­ci­na­da con­tra HPV a pes­soa pode tran­sar sem pre­ser­va­ti­vo?

Res­pos­ta: Uma va­ci­na pro­te­ge con­tra o agen­te in­fec­cio­so específico. Assim, uma pes­soa va­ci­na­da con­tra al­guns tipos de HPV fi­ca­rá pro­te­gi­da con­tra as doen­ças cau­sa­das pelos tipos vi­rais da vacina. Quem re­ce­ber va­ci­na bi­va­len­te con­tra HPV 16 e 18 fi­ca­rá imu­ni­za­da con­tra esses vírus e suas pa­to­lo­gias (neo­pla­sias intra-epiteliais). Uma pes­soa que re­ce­ber va­ci­na qua­dri­va­len­te con­tra HPV 6, 11, 16 e 18 terá uma pro­te­ção maior. Pois fi­ca­rá pro­te­gi­da con­tra doen­ças mais co­muns dos HPV 6 e 11 (con­di­lo­ma acu­mi­na­do – ver­ru­ga ge­ni­tal) e tam­bém dos HPV 16 e 18 (neo­pla­sias intra-epiteliais). O uso de pre­ser­va­ti­vo (mas­cu­li­no ou fe­mi­ni­no) terá ação con­tra ou­tras doen­ças de trans­mis­são se­xual que ainda não pos­suem va­ci­na, como HIV, her­pes ge­ni­tal, cla­mí­dia, sífilis…

– Está sendo muito fa­la­do de es­tu­dos em mulheres. Se real­men­te é uma DST, os ho­mens não serão va­ci­na­dos?

Res­pos­ta: Es­pe­ra­mos que um dia a va­ci­na con­tra HPV tam­bém seja apro­va­da para uso em homens. Ainda não ter­mi­na­ram os en­saios clí­ni­cos en­vol­ven­do pes­soas do sexo mas­cu­li­no para que a per­gun­ta seja res­pon­di­da de forma convincente. Que­re­mos crer que em mais um ou dois anos te­re­mos uma boa res­pos­ta sobre a va­ci­na­ção em ho­mens, es­pe­cial­men­te para os adolescentes. 

– Como será o ras­treio do cân­cer do colo ute­ri­no de­pois que uma pes­soa tomar a va­ci­na con­tra HPV? Qual o tempo de in­ter­va­lo? Será ne­ces­sá­rio con­ti­nuar fa­zen­do exame pre­ven­ti­vo?

Res­pos­ta: Ainda não se pode ter plena cer­te­za qual será o mo­de­lo ideal para todas as populações. O tempo e as pes­qui­sas vão, no fu­tu­ro, res­pon­der me­lhor essa pergunta. En­tre­tan­to, somos de opi­nião que, por en­quan­to, não se deve mudar o es­que­ma de exame de Pa­pa­ni­co­laou, ou seja, fazer anualmente. Com dois exa­mes ne­ga­ti­vos em um in­ter­va­lo de um ano, o exame pode ser re­pe­ti­do a cada dois anos, pelo menos.

Por outro lado, é per­ti­nen­te dizer que o FDA (EUA) já apro­vou o teste de pes­qui­sa de HPV por téc­ni­ca de bio­lo­gia mo­le­cu­lar (cap­tu­ra hí­bri­da) para ser usado em mu­lhe­res com mais de 30 anos com a visão de com­ba­ter o pro­ble­ma de cân­cer de colo de útero.

No Bra­sil, os se­to­res es­pe­cí­fi­cos do Mi­nis­té­rio da Saúde ainda não fi­ze­ram pro­pos­tas de mo­di­fi­ca­ção no ras­treio do cân­cer de colo uterino.

– Fala-se tanto de HPV, mas qual é o ta­ma­nho do pro­ble­ma?

Res­pos­ta: É muito grande. Acredita-se que cerca de 50% da po­pu­la­ção se­xual­men­te ativa em algum mo­men­to da vida cruza com o HPV. Estima-se que: 30 mi­lhões de pes­soas, em todo o mundo, te­nham le­sões de ver­ru­ga ge­ni­tal/con­di­lo­ma acu­mi­na­do; 10 mi­lhões de pes­soas apre­sen­tem le­sões intra-epiteliais de alto grau em colo ute­ri­no e que ocor­rem no mundo 500 mil casos de cân­cer de colo ute­ri­no anualmente.

No Bra­sil, o Ins­ti­tu­to Na­cio­nal do Cân­cer (INCA), in­for­ma a ocor­rên­cia de 18.000 casos novos a cada ano de cân­cer de colo uterino. E que, cerca de 4.000 mu­lhe­res mor­rem a cada ano ví­ti­mas de cân­cer de colo de útero.

Sabe-se que 11% de todos os casos de cân­ce­res que aco­me­tem as mu­lhe­res são cau­sa­dos por HPV. Pois, além de le­sões em colo ute­ri­no (os prin­ci­pais) os cân­ce­res por HPV podem ser em vulva, va­gi­na, ânus, oro­fa­rin­ge, ca­vi­da­de bucal e laringe.

Cabe, ainda, dizer que em­bo­ra não seja nem se trans­for­me em doen­ça ma­lig­na os con­di­lo­mas acu­mi­na­dos cau­sam, por vezes, altos cus­tos para tra­ta­men­to, falta ao tra­ba­lho (ab­sen­teís­mo), se­qüe­las lo­cais (por conta de ci­rur­gias, cau­te­ri­za­ções) e im­por­tan­tes trau­mas emo­cio­nais, entre outros. Isso tudo é agra­va­do por­que em mui­tos casos a re­ci­di­va é gran­de fa­zen­do com que a pes­soa com qua­dro de ver­ru­ga ge­ni­tal tem que fazer mais de dez vi­si­tas ao médico.

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